Boas empresas têm um orçamento, e você?

No artigo anterior falei em dinheiro organizado e dinheiro desorganizado, ilustrando um cliente, cuja vida refletia exatamente a sua mesa de trabalho, ou vice-versa, e extensivamente, a sua situação financeira. Tudo era uma coisa só. Afinal, o natural da desordem é a própria desordem. A expressão “dinheiro desorganizado” causa estranheza em alguns. O editor do Portal da Amazônia, gentilmente, sugeriu um complemento ao título do artigo. Expliquei a ele que era isso mesmo que eu queria dizer: dinheiro desorganizado.

 O que seria isso? Em primeiro lugar, é o dinheiro que está no ar. Mas não existe dinheiro no ar, falaria alguém. Tentaria explicar melhor: o dinheiro que está na cabeça. Como assim? Outra pessoa perguntaria. Desistindo das metáforas e tentando ser o mais claro possível, diria então, de forma contundente, no estilo Nelson Rodrigues: dinheiro desorganizado, dinheiro no ar e dinheiro na cabeça é o dinheiro que não está escrito. Ele não está num caderno, numa planilha, num aplicativo. Ele não existe em um orçamento.

Estou falando de algo simples. Quanto você ganha ou espera ganhar mês a mês? Quanto você gasta com residência, alimentação, transportes, internet, energia, TV a cabo, lazer, despesas bancárias...etc. Quanto você paga de prestações? Você doa dinheiro (vimos que este é também um meio de riqueza)? Você poupa ou investe? Qual é o somatório do seu patrimônio? E o total das suas dívidas? Quando você diminui do valor da receita o total de despesas, qual é o resultado? Positivo ou Negativo? Isto está escrito?

Em palestras que fiz em vários locais do país, em função do livro O Espírito do Dinheiro, tinha na maior parte das vezes, como público, executivos e empresários. Perguntava: as empresas de vocês têm um orçamento? Pode levantar as mãos quem a resposta for sim? E a maior parte das pessoas levantava a mão. E vocês acham isso importante? Sim, era a resposta quase unânime.

 E seguida, emendava uma segunda pergunta: e você pessoalmente, quem tem um orçamento escrito, pode levantar a mão? Desta vez, pouquíssimos se manifestavam. Em algumas situações, escolhia um ou outro participante e questionava: “há alguma razão para que a sua empresa tenha um orçamento escrito e você não?”.

Algumas respostas variavam entre a ilusão, a fuga ou a desistência, do tipo: “tenho tudo na cabeça”, “nem quero ver”, “só de pensar nisso, já me dá gastura”, “já tive um orçamento, mas com o tempo, não sei por que deixei de fazer”, “não adianta, estou sempre no cheque especial”. São pensamentos que desconsideram o Princípio Ordem, apresentado por Mokiti Okada e o efeito invisível a partir de pequenos detalhes.

Há um poder mágico no ato de registrar por escrito os nossos sonhos, objetivos, metas e, também, os nossos números financeiros. Tudo começa a existir no invisível, muitas vezes, na cabeça de alguém. É o caso de um projeto arquitetônico, por exemplo, assim como qualquer outro. Para que ele se materialize, deve ganhar o plano das palavras, da escrita e finalmente a sua materialização. Uma ideia no ar é algo vago. No caso do dinheiro, reflete falta de ordem, permitindo diversas situações de desorganização. Assim como acontece com o tempo, há dinheiro que rende e dinheiro que não rende. Não sei se você já percebeu, caro leitor, que há dinheiro que míngua, que desaparece sem que a gente perceba em quê. Está lá na cabeça, no ar, em algum lugar do abstrato.

Assim, se você quer ser favorecido pelo aspecto Ordem, que rege o universo, e também a entrada e saída de nosso dinheiro, há um primeiro passo básico: faça um orçamento por escrito. A partir daí, acompanhe mês a mês, receita, despesas, dívidas e variação patrimonial. Não é o único passo, mas é o primeiro. Veremos como isto pode ser feito no próximo artigo.

 

 

 

Mentor e Fundador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria

Autor do Livro: O Espírito do Dinheiro (Editora Ponto Vital)

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