Como é a sua relação com o dinheiro?

Recentemente participei de uma reunião em que foi perguntado a uma profissional de desenvolvimento humano, muito bem-sucedida, o que a movia, o que a motivava a continuar trabalhando, uma vez que, na sua idade, a maioria das pessoas já está aposentada. A resposta, que surpreendeu a maior parte dos presentes, foi: o dinheiro. Ela complementou: a segunda coisa é o prazer de contribuir com o crescimento das pessoas, mas a primeira coisa é o dinheiro.

A surpresa das pessoas que estavam na reunião talvez fosse por esperarem uma resposta considerada mais elevada, como o próprio contribuir com crescimento dos seus clientes, que ficou em segunda posição. Elas mesmas talvez não tivessem coragem de se posicionar de uma maneira tão clara. Boa parte assume um discurso diferente. O de que o dinheiro não é a sua principal motivação, mesmo que, para alguns, seja. Elas pareciam estar aliviadas, como se, agora, também pudessem expressar suas motivações mais íntimas.

Mas, afinal, existe o que poderia ser chamado de mais nobre nas motivações de cada um? Quem poderia dizer o que é mais justificável? Existiria uma motivação mais correta do que outra? Quem definiria este critério de valor?

O que motiva cada um cabe a cada um e não é algo que possa ser imposto. Se existe alguma coisa que possa ser considerada ruim é alguém tentar enganar a si mesmo. Isto pode ser feito da boca para fora, num discurso politicamente mais correto. No entanto, lá dentro, o que nos move verdadeiramente?

A resposta desta profissional possui valor, pela sua sinceridade e transparência. Uma pessoa menos resolvida não seria capaz de fazê-lo. Mas a resposta em si não seria melhor ou pior do que qualquer outra. Não há nada de errado em ter o dinheiro como o seu grande motivador, assim como não há se for por algum outro tipo de realização.

Independentemente de ser ou não o principal motivador de uma determinada pessoa, o dinheiro é importante para todos. Yuval Harari, em um dos seus livros, explica como o dinheiro converte quase qualquer coisa em quase qualquer coisa, mesmo sendo uma construção humana. Estudos mostram que há uma certa relação entre dinheiro e felicidade, mas não de forma linear e direta, mas isto será tratado em outro artigo.

Neste momento, gostaria de levantar algo que ultrapassa a questão da sua importância. Como é a nossa relação com o dinheiro? Quem manda em quem? O dinheiro nos liberta ou nos aprisiona? Quando ele nos faz sofrer? Por falta, por excesso (sim, tem quem sofra por ter demais), por medo de perdê-lo? Por traumas passados ou por preocupação com o futuro?

Quando guardamos dinheiro, o fazemos, preparando-o para o quê? Para a saúde ou para a doença? Para a vida ou para a morte? Para seguir os nossos ideais ou para seguir os dos outros? Para construir ou para consumir? O quanto esta relação é saudável ou é doentia?

Se tudo que existe começa a ser construído no invisível, antes de ser materializado, a nossa relação com o dinheiro constitui um fator de grande importância para o que alguns chamam de sorte ou azar em relação ao dinheiro. O que você acha? Vale pensar um pouco sobre isso? Continuo no próximo artigo da série.

 

 

Mentor e Fundador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria

Autor do Livro: O Espírito do Dinheiro (Editora Ponto Vital)

Artigo publicado no Portal Amazônia

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