Dívidas com sentimentos

No último artigo, falamos sobre a importância de termos um orçamento por escrito. Antes de prosseguir na construção de um orçamento pessoal, quero compartilhar com você, caro leitor, uma história real, a respeito de dívidas, grandes vilões para quem quer ter uma vida financeira saudável.

M. era um bom sujeito. Um homem com pouco menos de 50 anos. Um guerreiro que, desde cedo, aprendeu a importância do trabalho e da honestidade para ser alguém na vida. Uma pessoa simpática que gerava confiança das pessoas. Com esforço, conseguiu comprar a crédito e, depois de muitos anos, quitar um táxi que, agora, já precisava ser trocado. Vivia no Rio de Janeiro, onde a maior parte dos táxis eram novos e já tinham ar-condicionado. O de M. não. Velho, por dentro e por fora, às vezes enguiçava e era difícil entender como M. ainda conseguia passageiros. O preço de uma corrida era o mesmo que o dos concorrentes. No táxi de M., o cliente podia derreter num verão, com sensação térmica de até 50º. Isto sem contar com o risco de ficar pelo caminho. Sorte que somente os mais próximos sabiam deste risco. Uma vez, eu estava sem carro, e ele me ofereceu uma carona, como cortesia de um amigo. Disse: “não M., obrigado. Estou com pressa. Vou tomar um táxi.” Não fiz de propósito, mas percebi que o magoei profundamente.

Decididamente, M. precisava de um táxi novo. Mas como? Ele vivia enrolado financeiramente e até para pequenas despesas, suas e as do carro, precisava pedir emprestado. Aliás, já não tinha mais a quem pedir. Seu estoque de amigos e conhecidos a quem podia pedir, já havia se esgotado.

Na época, eu fazia um trabalho voluntário que incluía ajudar pessoas a se organizarem financeiramente. M. me procurou e pediu ajuda. Sugeri que relacionasse todas as suas dívidas. Ele relutou, disse que não se lembrava, mas acabou escrevendo o nome de 21 pessoas, além de diversos carnês de prestação de lojas, financeiras e bancos. Na parte das pessoas, havia dívidas de anos que talvez até já tivessem sido esquecidas.

Propus a ele: “M, vamos começar pelas dívidas com as pessoas. Como primeiro passo, que tal você procurar cada uma delas e dizer que você sabe que deve e que vai pagar tão logo possa?”. “Ah, eu não tenho cara para isso”, disse ele. Respondi: “Você não tem cara para isso e tem cara para dever e não dar nem uma satisfação? Neste caso, sinto, mas não vou conseguir te ajudar”. M. relutou, relutou e acabou retornando uma semana depois, aliviado. Tinha tirado um enorme peso das costas. “Falei com um por um. Levei muita bronca, mas compreensão também. Teve gente que até perdoou a dívida e outros me elogiaram pela atitude.”

Para resumir a história, quando me mudei do Rio de Janeiro, menos de dois anos depois, quem me levou ao aeroporto, foi o M. Estava dirigindo um táxi zero km, com ar-condicionado, que pagava mensalmente, com o próprio trabalho, e que agora rendia mais do que o dobro de antes. Havia pagado a todas as pessoas e renegociado as dívidas com os bancos.

Depois daquele primeiro passo, algo fantástico começou a acontecer na vida de M. O que ele fez? Relacionou as dívidas, priorizou aquelas que geram sentimentos e se organizou para pagar a cada um dos credores. Ou seja, as dívidas com pessoas que confiaram nele e que, humanamente, estavam decepcionadas, algumas até revoltadas. Como se levantar tendo 21 pessoas vibrando negativamente, mesmo que inconscientemente contra você?

Outras histórias que acompanhei me geraram uma forte crença. Se você quer se livrar de dívidas, comece relacionando-as por escrito. Classifique estas dívidas e priorize fortemente as pessoas físicas, aqueles credores que têm sentimentos. Bancos, financeiras e lojas de varejo fizeram um negócio. Você precisa pagar a eles, principalmente por você mesmo, mas não há sentimento envolvido. Diferente é o amigo (ou ex-amigo), o cunhado, o irmão, o colega de trabalho ou qualquer pessoa que tenha confiado em nós em um momento difícil. Os sentimentos que geramos nas outras pessoas, positivos ou negativos, é algo que vai causar grande influência na nossa trajetória. Podem atuar como uma âncora e nos aprisionar ou como uma alavanca para nos ajudar a subir. O que você pensa sobre isso?  

 

 

 

Mentor e Fundador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria

Autor do Livro: O Espírito do Dinheiro (Editora Ponto Vital)

Texto publicado no Portal Amazônia

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