Este é o artigo de número 300, escrito semana a semana, durante 300 semanas, desde fevereiro de 2020, sem falhar nenhuma. Ele será em parte semelhante ao artigo 200: Hora de Agradecer e de Comemorar. Na ocasião, em janeiro de 2024, renovava a série que se estenderia por mais 50 semanas, que se transformaram em 100, totalizando 300 artigos, uma meta para mim importante de ser atingida. O filósofo Mário Sérgio Cortella diz que a disciplina é a organização da liberdade. Concordo com ele.
O fato de ser também a última semana do ano me sinaliza que o ciclo se encerra agora. Interrompo, pelo menos a frequência semanal, para utilizar este tempo em um novo projeto, também de escrita e, também, objetivando a construção consciente de felicidade para um mundo melhor.
Mas, afinal, que mundo é este que precisa de nós para ser feliz? E a resposta é simples: o nosso mundo. O mundo a nossa volta, o que conseguimos influenciar direta ou indiretamente. É o mundo que começa por nós mesmos, com os nossos sentimentos, pensamentos e ações. Podemos desenvolver maneiras de pensar e de agir que nos aproximam ou nos distanciam da felicidade.
O mundo que precisa de nós se estende ao nosso cônjuge, filhos e netos, nossos amigos, colegas de trabalho, às pessoas que nos servem no restaurante, na portaria ou mesmo na nossa casa. Também é o mundo dos que cruzamos pelo caminho em encontros ou desencontros. Todos nós temos um mundo para melhorar e para fazer mais feliz. A rigor, este mundo não precisa de nós para ser feliz, mas nós podemos contribuir para isto. Dizer que ele precisa de nós é apenas uma forma de invocar a nossa própria responsabilidade.
Esta é a proposta deste conjunto de 300 artigos, a maioria, atemporal, tratando de questões humanas que não se limitam a uma pessoa, local ou espaço de tempo. O tamanho do mundo, que é atingido por eles, é impreciso, podendo ser de uma meia dúzia de leitores ou de uma abrangência maior, a partir do poder de irradiação de ideias que adquirem vida própria.
Neste período, de 2020 para cá, não faltaram momentos difíceis no país, no mundo e na vida de todos nós. Enfrentamos a pandemia, a polarização política, surgiram novas guerras e batemos recordes de catástrofes ambientais. Mais do que nunca, precisamos de pequenos tijolos que nos ajudem a construir felicidade e esta é a proposta da equipe que tenho a honra de fazer parte no MCI. Nosso propósito é traduzido no convite: “Vamos construir felicidade? Para você, para mim, para todos? O mundo precisa”.E, reforçando: que mundo é este que precisa de nós? O nosso mundo.
O convite esteve presente nos 300 artigos, em diversos temas, situações do cotidiano e personagens reais, na maior parte das vezes, com nomes fictícios. Para escrevê-los, havia um primeiro adversário a ser vencido, semana a semana. Steven Pressfield chama este inimigo de “resistência”, que é a força interna que tenta impedir escritores, pintores, músicos e qualquer pessoa de fazerem o que vieram fazer. Baseado na própria experiência como roteirista de Hollywood, Pressfield afirma: “Difícil não é escrever. Difícil é sentar-se para escrever”. É o momento em que a resistência é enfrentada.
Segundo o autor, ao enfrentar a resistência, invocamos a musa interior, cuja missão é inspirar o artista que reside em cada um de nós. Os romanos se referiam a um genius, um espírito interior sagrado, que nos estimula à nossa
vocação. No meu caso, gosto de pensar que, embora eu não seja um escritor, o meu anjo da guarda o é. Às vezes, nem reconheço o que escrevi, mas ele sabe o que está fazendo, ou melhor, escrevendo.
Todo texto é recriado várias vezes, cada vez que é lido. Isto ocorre porque do diálogo do leitor com o autor surge uma nova versão, fruto da interpretação e percepção do momento. Se o mesmo leitor o ler em outra ocasião, o recriará novamente, pois ele, leitor, não será o mesmo.
Assim, quero agradecer aos leitores por este trabalho em parceria. Agradecimento aos leitores regulares e aos eventuais. Quero agradecer a equipe do MCI pelo incentivo e à minha mulher Cláudia, pela paciência e pelas revisões. Quero agradecer ao meu anjo de guarda, ao meu genius interior e à minha musa que me ajudaram a enfrentar a resistência e a cumprir durante estas 300 semanas, o que recebi como missão e que faz parte do meu propósito.
Desejo que no próximo ano você seja muito feliz, fazendo feliz o seu mundo.
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